Bernardo Guimarães · Clássicos da literatura brasileira
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A história de Isaura, escrava de pele clara e educação refinada, perseguida pelo senhor Leôncio. Romance de 1875.
Era nos primeiros annos do reinado do S^{r} D. Pedro 2º.
No fertil e opulento municipio de Campos de Goitacases, á margem do Parahyba, a pouca distancia da villa de Campos, havia uma linda e magnifica fazenda.
Era um edificio de harmoniosas proporções, vasto e luxuoso, situado em aprazivel vargedo ao sopé de elevadas collinas cobertas de mata em parte devastada pelo machado do lavrador. Longe em derredor a natureza ostentava-se ainda em toda a sua primitiva e selvatica rudeza; mas por perto, em torno da deliciosa vivenda, a mão do homem tinha convertido a bronca selva, que cobria o solo, em jardins e pomares deleitosos, em viçosos gramáes e pingues pastagens, sombreados aqui e acolá por gameleiras gigantescas, peróbas, cedros e copahybas, que attestavão o vigor da antiga floresta. Quasi não se via ahi muro, cerca, nem vallado; jardim, horta, pomar, pastagens, e plantios circumvisinhos erão divididos por viçosas e verdejantes sebes de bambús, piteiras, espinheiros e gravatás, que davão ao todo o aspecto do mais aprazivel e delicioso vergél.
Domínio público: o autor faleceu em 1884, há mais de 70 anos (Lei 9.610/98, art. 41). Texto da edição digitalizada pelo Projeto Gutenberg.